octobre 24, 2011

Conte Comigo




Conte comigo, mesmo sem contar a mim tanta coisa que lhe pesa no coração, que lhe amargura e resseca o fundo d'alma.


Conte, nas horas mais abandonadas da vida, quando o olhar, vagando em derredor, só divisar deserto.


Conte comigo, mesmo sem vontade de contar com ninguém ou certo de que não vale a pena contar com mais ninguém, nesta vida.


Conte comigo, devagarinho, deixando que a boa vontade vá dizendo, sem nada forçar, à medida em que acreditar.


Conte, durante as agonias, que, de um tempo para cá, não deixam em paz seu cansado coração, pois o bom da vida consiste em encontrar um amigo.


Conte, nas horas inesperadas, quando as tempestades despregam repentinas e tombam por cima da sua cabeça triste.


Conte comigo, para re-aprender a cantar, durante a vida, e a viver de serenas e pequeninas felicidades.


Conte comigo, para eu ajudá-lo a ter rosto bom e quieto, ao menos na presença dos filhinhos menores, que vivem dos rostos abertos.


Conte, para auxiliá-lo no amargo carregamento da cruz.


Conte comigo, para ficar sabendo, de experiência, que há na vida muita coisa linda, coisa escondida, prêmio de quem se venceu na dor.


Conte, para triunfar, no ritmo vagaroso do dever, na cadência da paz diária, aprendendo a teimar com as teimas da vida madrasta.


Conte, que são largos os caminhos da vida, esperando os passos duplos de dois amigos que vão, na direção da conversa.


Conte comigo, para saber olhar ao alto, buscando a face de um Pai.


Conte, mesmo para não se entregar aos desânimos e desencantos, de quem anda cheia da vida, do começo ao fim.


Conte comigo, que venceremos juntos, anjo da guarda com seu pupilo.


Conte, que a vida tem ser bela, criando nós as belezas, de dentro para fora, obrigação do coração, missão da Fé.


Conte comigo, conte sempre, teimando com você mesmo, que não quer saber de mais nada, ofendido que foi, descrente que anda.


Conte quando, olhando para a frente, não sente vontade de andar; olhando para trás, tem medo do caminho que andou.


Conte comigo, para que tenha valor e beleza cada passo seu, cada dia da vida, cada hora dentro de cada dia.


Conte, conte mesmo, sabendo que Deus me deu a missão de fazer companhia aos desacompanhados corações dos homens.




Allan Kardec

O SEXTO SENTIDO

O bom senso supostamente seria o julgamento mais correto possível em relação a um evento ou perante a necessidade de tomar uma decisão, se opondo a todo estado desvairado ou enlouquecido que perturbaria o juízo. Na língua portuguesa se chama a este sentido pela sua qualidade boa, o bom senso. Em inglês se chama “common sense” tanto quanto em espanhol, “sentido común”. Estas expressões remetem ao sexto sentido, ao órgão de percepção que todos compartilhamos, que todos temos em comum, que é nada mais e nada menos do que a mente. Disso se entende que o melhor julgamento possível sobre a realidade será sempre o que considerar tudo que houver em comum, evitando distinções e separatismos artificiais que só atrapalhariam o bom juízo.
Nesse mundo nosso da atualidade, que só produz sobressaltos e desorientação, não se pode buscar nele nem tampouco encontrar orientação e definições que sirvam de guia para atitudes e decisões. A orientação se encontra disponível na Vida de nossas vidas, na glória de nossas almas, à qual todos podemos ter acesso consciente e intencional através de profunda reflexão, de ardente devoção ou de ações corretas. Nos três casos é necessário, imprescindível, atingir um estado de leveza que só a despreocupação poderia fornecer. Enquanto tudo, neste mundo, conspira para você se preocupar, decida ir além e, desapegando-se dos resultados que pretende conquistar, encontre em seu coração a orientação que precisa. Iniciar a semana útil de Lua Vazia torna auspicioso esse exercício e nada além dele.